sábado, 6 de agosto de 2011

Mar de hoje.

No meu mar
Eu vejo hoje,
Na fúria das ondas
A mágoa de outrora.
Curvaturas redondas
Desenhadas água fora.
Imponente,
Mostra a sua amargura
Contra as rochas.
E a dor relembra-o
Das saudades de tempos passados
Que se desfazem junto às costas
Numa espuma branca,
Que desvanece na areia.
No seu tamanho imenso,
Água salgada que ele próprio verteu
Num temporal intenso.
Sal extraído da sua felicidade.
Mantendo,contudo, o respeito
Pela distância que suas águas hão feito
Para que num acto de esperança,
Se enrole outra vez,
Tentando encontrar a tez
Que se perdeu em água mansa.
Desabafando com a areia,
Um pouco a cada momento,
Pedindo rotas ao vento
E esperando a maré cheia.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ninfa.



Deixa-me ser a tua deusa,
Dona dos teus desejos,

Mesmo os mais profundos.
Deixa-me ser o que procuras
E aquilo que anseias. 
Fecha os olhos,
Relembra a minha imagem. 
Ambiciona os meus beijos
E o tocar das tuas mão na minha pele.
Quero ser tua ninfa.
Deixa-te seduzir pelo meu olhar 
E pelo meu sentimento fugaz.
Quero-te tanto,
Como me queres a mim.
Sou mais que tua ninfa. 
Sou tudo o que precisas.
Deixa-me ser tua...
A tua única ninfa.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Este é o tempo.



Este é o tempo!
Este é o tempo em que apesar
Da minha presença constante
Quase que não existo
E morro para mim mesma.
Um vazio perturbante.
Não sou mais,
Nem sou menos.
Apenas nada.
Sou aquilo que não percebo,
Mas sinto que tenho de ser.
Mesmo o que omito
E tento não transparecer
Acabo por mostrar,
Não conseguindo conter.

sábado, 6 de março de 2010

Palavras dolorosas.



Marcadamente, o tempo decorre

Sinto a nostalgia do seu passar
Receio por tudo o que morre
E por me fazer sentir ninguém.
Silenciosamente, vivo um constante chorar
Porque errei e porque também
Não sei como me perdoar.
Nem tu...

Enfadonhamente,
Acreditei num passado saudoso
Pelo qual me tenho vindo a magoar.
Inesperadamente,
Porque num cravar doloroso
Palavras me fazem desesperar.
Tudo o que pensava ser
Desvaneceu e foi desvalorizado.
Tudo o que tinha como especial
Um defeito, um gosto trivializado.
(E) Afinal eu não era a tal.

Não existem termos que definam
Nem o sentimento, nem o sofrimento.
As recordações que considerava únicas,
Agora lembram
As palavras amargas e sem alento
Por ti proferidas.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Vagueando pela noite.



Vagueando pela noite,
Deleito-me com os pormenores escurecidos
Por um negro consistente
Apenas esboçados pelo belo luar
E enfeitados pelo cintilar das estrelas.
Tão bonito, tão puro, tão natural.
Sinto um arrepio
E sinto-me em casa.
E no entanto estou no meio da rua,
Rodeada por vultos de diversas naturezas.
Nem em casa me sinto assim.
Deslizo o meu olhar sobre a lua
Enfeitiçada pelo seu brilhar.
Entrego-me ao bem estar,
Vislumbro todo aquele lugar
Guardando a imagem num cantinho secreto
Bem perto de mim,
Onde ninguém pode tocar.
Agora,
Espero que chegue um vulto
Que mereça partilhar deste momento,
Desta visão, deste meu refúgio no luar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sol fugido.



Tempos dolorosos correm nestes dias,
O ar está frio, o tempo está negro.
Não existe um raio de Sol que perdure.
Tudo se manifesta em sintonias.
Minha alma chora por dentro
Sem um despontar de esperança que fure,
Assim como as nuvens deste céu cinzento
Neste compasso arrastado de desespero
Que desperta o meu medo.
O Sol fugiu e eu não o encontro
Procuro-o, chamo-o, grito e anseio;
Desejo-o mesmo, até ao meu último fôlego.
Escondeu-se por detrás do meu escombro
E não quer nascer mais.
Castiga-me e impede-me de voltar,
De descobrir o meu rumo
E o meu lugar, o meu doce lugar,
Por baixo da sua luz,
Ao toque dos seus raios,
Ao sabor do meu estimado sonhar.
Noites penosas que fazem jus
A dias saudosos
Dos quais me insisto em lembrar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sem alento.



Num dia cinzento,
Com nuvens imponentes
Ventos violentos,
Debaixo de uma árvore,
Lá estava eu.
Apenas ser errante,
Posição constante,
Estado vegetativo,
Ou quase,
Prestes a deixar tudo.
Como que esquecendo a dor
De tão mergulhada em tristezas.
Esqueci o significado do viver
E qual o seu sabor.
Só o meu corpo parece ainda responder
Comandado por si mesmo.
Os meus olhos...
Seguem o movimento das folhas arrastadas pelo vento.
Só eu existo aqui sozinha e sem alento.